Meu ano cinéfilo (2014)

Mudança, viagens, festas de final de ano & otras cositas más inviabilizam meu mês de dezembro para filmes, mas as listas de final de ano são tão inevitáveis quanto os especiais do Roberto Carlos, a overdose de Happy Xmas versão Simone e os shows anuais do Paul McCartney no Brasil; adianto aqui a primeira delas. A relação com os melhores do circuito – no meu caso, do pequeno recorte que acompanhei dele, com notável desinteresse pelo restante – deve ser publicada no Cineplayers junto das demais retrospectivas. Neste post, seguindo modelo criado em 2013, elenco 25 filmes que não estiveram comercialmente em cartaz no Brasil, mas que me marcaram profundamente em 2014. Talvez sirva para buscar recomendações, talvez sirva como registro; possivelmente não sirva para nada.

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25. O Homem que Burlou a Máfia (Charley Varrick, 1973), de Don Siegel

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24. Branco Sai Preto Fica (idem, 2014), de Adirley Queirós

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23. Poeira no Vento (Lian lian feng chen, 1987), de Hsiao-Hsien Hou

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22. Femmes Femmes (idem, 1974), de Paul Vecchiali

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21. Yoyo (idem, 1965), de Pierre Étaix

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20. Sem Sol (Sans Soleil, 1983), de Chris Marker

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19. Só Se Vive uma Vez (You Only Live Once, 1937), de Fritz Lang

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18. Os Indigentes do Bom Deus (Les Savates du Bon Dieu, 2000), de Jean-Claude Brisseau

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17. O Pão Nosso (Our Daily Bread, 1934), de King Vidor

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16. E Agora? Lembra-me (idem, 2013), de Joaquim Pinto

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15. Coração Prisioneiro (Caught, 1949), de Max Ophüls

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14. Gente da Sicília (Sicília!, 1999), de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet

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13. Filme Demência (idem, 1986), de Carlos Reichenbach

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12. Gertrud (idem, 1964), de Carl Theodor Dreyer

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11. Pai e Filha (Banshun, 1949), de Yasujiro Ozu

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10. Disparo Para Matar (The Shooting, 1968), de Monte Hellman

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9. Mulher Tentada (Catene, 1949), de Raffaello Matarazzo

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8. Tudo Que o Céu Permite (All That Heaven Allows, 1955), de Douglas Sirk

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7. Os Amores de Pandora (Pandora and the Flying Dutchman, 1951), de Albert Lewin

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6. Flor Seca (Pale Flower, 1964), de Masahiro Shinoda

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5.  Viagem ao Princípio do Mundo (idem, 1997), de Manoel de Oliveira

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4. Os Noivos (Il Fidanzati, 1963), de Ermanno Olmi

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3. O Condenado (Odd Man Out, 1947), de Carol Reed

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2. Sua Única Saída (Pursued, 1947), de Raoul Walsh

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1. Noite de Estreia (Opening Night, 1977), de John Cassavetes

Últimos Filmes Vistos / Breves Comentários

No Cineplayers, além das notas atribuídas aos filmes vistos, temos a opção de escrever breves apontamentos em até 250 caracteres pra acompanhá-las. O post reúne dez dos últimos comentários inseridos, respeitando a limitação imposta pelo recurso do site (exercício de síntese demoníaco e fadado ao fracasso), picaretagem que pretendo repetir a cada dez comentários escritos como nova tentativa de dar algum sentido a esse espaço (o risco deste ser o primeiro e último post é iminente, claro).

Destaque para o francês Pierre Étaix, cuja até então inédita obra chegou ao Brasil de surpresa em uma mostra integral promovida em diversas capitais pelo CCBB. Um artista que merece toda atenção.

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Os Amores de Pandora
(Pandora and the Flying Dutchman, 1951), de Albert Lewin

Mitologia, literatura, pintura, poesia, filosofia, intrigas, corridas de automóvel, touradas e a bela Ava Gardner. Compêndio artístico impressionante, potencializado pela encenação de Lewin e seus planos que preenchem o quadro sempre de forma maravilhosa. Nota: 9.0 (não é citação à AjudaLuciano)

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Yoyo
(idem, 1965), de Pierre Étaix

A instituição que rui e se restabelece dentro de uma curva natural do capitalismo, com a arte emergindo como redenção em tempos de crise. É a obra-prima de Étaix, um tratado de amor ao espetáculo que o vai do circo à televisão, do teatro ao puro cinema. Nota: 8.5

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Dilinger Está Morto
(Dillinger è morto, 1969), de Marco Ferreri

Antes da crítica social, o que cativa em Dillinger Está Morto é a ambientação cotidiana que parte de algo tão banal – homem cozinhando seu jantar – e como esta ação tão simples vai sendo engolida por uma atmosfera nonsense que nos submerge no delírio. Nota: 8.5

saudeEnquanto Tivermos Saúde (Tant quon a la santé, 1966), de Pierre Étaix

Sob amargo riso, o retrato de um mundo que, tal qual uma cobra, pica o homem para oferecer-lhe a cura com seu próprio veneno. A tela de cinema que engole Étaix para o universo publicitário é um gesto de resistência possível somente através da comédia. Nota: 8.5

imageOs Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, 1980), de John Landis

O amor pela música e o prazer de torrar milhões de dólares financiados pelo estúdio em destruições gigantescas conduzem este filmaço de John Landis, num nível de insanidade cartunesca que encontra similaridade apenas nas grandes obras de Keaton e Edwards. Nota: 8.5

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Sonha, Meu Amor
(Sleep, My Darling, 1948), de Douglas Sirk

Quando a realidade firma-se como um indissipável delírio, à superfície da imagem resta apenas conformar-se com a herança do falso como única verdade possível. Um deliciosamente perverso jogo de enlouquecimento sustentado com maestria por Douglas Sirk. Nota: 8.0

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Feliz Aniversário (Heureux anniversaire, 1962), de Pierre Étaix

Do cruzamento entre o humor vaudevilliano de Buster Keaton e a crítica sagaz à modernidade de Jacques Tati surge essa pérola de Pierre Étaix, curta com uma sucessão de gags hilariantes sobre uma cidade adoecida que impede o homem de chegar à sua esposa. Nota: 8.0

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O Grande Hotel Budapeste
(The Grand Budapest Hotel, 2014), de Wes Anderson

Do retorno ao passado, Anderson extrai uma metanarrativa que explora potencialidades de um mundo inteiramente sustentado pelas liberdades da fábula e da memória. Uma brincadeira com gêneros e estereótipos que transforma a História num insano cartoon. Nota: 7.5

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Grande Amor
(Le grand amour, 1969), de Pierre Étaix

Singela história de amor e sonho filmada após o mais radical e pessimista filme de Étaix, Enquanto Tivermos Saúde. Inevitável citar a bela sequência onírica em que o protagonista percorre estradas do interior da França em sua cama com a mulher que deseja. Nota: 7.5

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Vic + Flo Viram um Urso
(Vic + Flo ont vu un ours, 2013), de Denis Côté

Atmosfera lúgubre de um quase anti conto de fadas, com um relacionamento lésbico entre duas ex-prisioneiras servindo de base para uma história sobre possessividade, liberdade e passado, infelizmente mal resolvida e com um ato final meio grotesco. Nota: 6.0